segunda-feira, abril 23, 2012

Escolhendo a fauna(Mbunas): Coloração das espécies!




Geralmente os iniciantes optam por Mbunas ao povoarem seus aquários, e por serem mais territorialistas e agressivos, uma má escolha da fauna pode acarretar sérios problemas.

Por serem rock dwellers e habitarem, com poucas exceções, as mesmas porções da água, um fator importante para uma boa escolha de fauna são as cores das espécies.Cores iguais ou muito próximas, contando também as cores espécies que apresentam dimorfismo sexual, podem transformar um aquário de Mbunas em um ringue de luta. E é questão que vamos analisar nesse texto e propor uma escolha inicial de espécies mais tranqüila.

Temos 6 cores gerais nos peixes que mais vemos nas lojas aqui no Brasil, são elas o azul, outros tons de azul, o amarelo, o laranja, o branca e o preta

.Grupo A - Espécies Azuis:

P.demasoni

P.Zebra

P.saulosi macho

P.elongatus

M.johannii e M.maingano

M.lombardoi fêmea

L.mbamba

.Grupo B - Espécies com outras tonalidades de azul:

G.morrii

P.socolofi

L.trewavasae e fuelleborni

M.greshakei
M.estherae (blue) e (o –macho)

.Grupo C - Espécies Amarelas:

L.caeruleus “Yellow”

L.lividus

M.lombardoi macho

P.saulosi fêmea

M.auratus (fêmea principalmente)
.Grupo D - Espécies Laranjas:

M.estherae(red) e (OB)
P.cabro

L.trewavasae OB

Outros OB

.Grupo E - Espécies Brancas:

L.caeruleus “White”

P.socolofi albino

Outros albinos

.Grupo F - Espécies Pretas:

M.auratus macho
P.cabro macho




Apesar das fêmeas por vezes apresentarem coloração nem sempre apagadas em relação aos machos, podendo fêmeas dominantes, ficarem bem semelhantes aos machos e também apresentarem dominância em cima de outras fêmeas, essa lista acima assim como a tabela abaixo corresponde melhor aos indivíduos machos, por desenvolverem dominância e territorialidade demasiadamente maior que as fêmeas. Abaixo, tabela de compatibilidade de Mbunas por coloração levando-se em consideração a lista dos grupos acima.
.Tabela de compatibilidade dos Mbunas por coloração:


* As variedades albinas apresentam visão prejudicada, sensíveis a iluminação e se comportam visualmente como peixes da própria espécies sem o gene albino, ou seja, uma espécie albina, se enquadra dentro do grupo da mesma espécie sem o gene albino.
Analisando a tabela, vemos o cruzamento dos grupos entre si e entre outros, nos dando um risco aproximado de compatibilidade por coloração das espécies, o risco alto, o risco médio e sem risco! Vamos analisar cada um:
.Sem Risco: Não existe risco inter grupos nos Grupos A com C, D e E, Grupo B com C, D e F, Grupo C com A, B e E, grupo D com A, B e E, Grupo E com A, C, D e F e Grupo F com B e F. Esses grupos possuem espécies que na relação intra grupos são quase ou totalmente distintos no que diz respeito a coloração. Para aquaristas iniciantes, seria a melhor escolha de fauna possível para um aquário mais harmonioso e sem perdas precoces, tal qual um aquário mono espécie!
.Risco Médio: Existe risco médio, moderado, entre os Grupos A e B, B e E e A e F. Esta incompatibilidade moderada deve-se ao fato da proximidade entre as cores e seus tons e pela barras verticais e horizontais pretas dos machos dominantes. Essa proximidade ainda pode ser acentuada, em caso de fatores como iluminação, stress e dominância! Como exemplo desse risco médio entre os grupos, podemos citar Pseudotropheus elongatus com o Melanochromis auratus, Labidochromis caeruleus”White” com Pseudotropheus socolofi entre outros. O aquarista já com um pouco mais de experiência, pode assumir esse risco médio em aquários maiores de 200 litros!
.Risco Alto: Além do alto risco intra grupos, existe alto risco de insucesso inter grupos, como entre as espécies do Grupo C e D, pela proximidade das cores e variações diante de iluminação ou não! Além disso, vemos uma incompatibilidade do Grupo C e D com o Grupo F. Esta incompatibilidade se deve ao fato do grupo F ser formado por machos pretos, que ao serem juvenis, eram amarelos ou laranjas, e podem ver nesses grupos fêmeas, e, ou machos juvenis. Um exemplo de Risco Alto é que um Pseudotropheus elongatus “Mpanga” pode tanto tentar cruzar com uma fêmea de Gepyrochromis morrii, quanto uma fêmea de Pseudotropheus demasoni, além de verem os machos dessas 2 espécies como concorrentes. Outro exemplo de Risco alto é um Melanochromis auratus macho, terá o mesmo comportamento em relação a fêmeas e machos de Labidochromis caeruleus “Yellow” e M.estherae(red). O aquarista já com boa experiência e tempo na criação, pode assumir esse risco alto em aquários maiores que 400, 600 litros com lay out bem planejado, espécies envolvidas e outras variantes a se considerar, porém é sempre arriscado!
Importante salientar que a compatibilidade por coloração das espécies é apenas uma das demais formas de analisar compatibilidade inter e intra-específicas, sendo bem voltada à diluição de agressividade, dominância e hibridismo! Outras formas de compatibilidade referem-se à dieta, habitat, temperamento interespecífico, temperamento intra-específico, tamanho final de cada indivíduo e do aquário, além dos parâmetros.
No caso de escolha da fauna onde há a inserção de Haps e Aulonocaras, além do volume do aquário e análise das compatibilidades apresentadas no parágrafo acima, a mesma regra de análise de coloração das espécies vale, pois por serem menos agressivos e territorialistas que os Mbunas, podem sofrer e ter uma qualidade de vida bem baixa caso se assemelhem em coloração com um Mbuna dominante.

Outros Mbunas que não estão inseridos nesta tabela devido ao fato de não serem comuns no Brasil, seguem a mesma lógica. É ver a cor da espécie, colocá-la em um grupo e ver os riscos no cruzamento com outros grupos.
Logicamente, o temperamento e tolerância de cada espécie e indivíduo podem modificar um pouco esta relação inter grupos, principalmente porque o estudo ecológico dos animais não é uma ciência exata, podendo sofrer variações das mais indeterminadas ordens!
Para saber mais a respeito, leia este texto do Johnny Bravo:
Padrões de coloração e resposta visual nos Ciclídeos Africanos

Guilherme_Guila - 2007